segunda-feira, 28 de maio de 2012

UMA CARTA PARA DEUS...



                Não sei se começo te dando um bom dia, boa tarde ou boa noite. Na verdade não sei nem como me dirigir a Ti. Mas, nesta manhã tranqüila de domingo, senti vontade de escrever-te. Do fundo do meu coração nasceu esse desejo enquanto estava deitado no colchão na sala aqui de casa. Depois de tantos pensamentos acerca de Ti e de ler outros tantos de gente que assim como eu, gasta um bom tempo de sua vida pensando em Ti.

                Pois é Deus. Andam falando muita coisa aqui na terra sobre Ti. Dizem até que Tu não és aquele soberano que tem tudo em seu domínio como afirmaram os antigos profetas. Será Deus? Dizem que Tu não és o senhor da história, que não sabes o fim dela e que Tu nos entregas-te esse domínio.

                Sabe Deus, muitas vezes, tenho essa impressão também, por que Tu ficas em silêncio, não se manifesta de maneira estrondosa como nos disseram nossos irmãos do antigo testamento.

                Eu sei que Tu sabes o que falamos de Ti e que muitas vezes não parece contigo. Mas eu não posso dizer nem que sim nem que não. O único parâmetro que tenho de exemplo é um homem que se chamou Jesus de Nazaré. Esse tem me fascinado cada vez mais. Esse me constrange todos os dias. Mas eu mesmo, não tenho forças para segui-lo, eu preciso de ajuda.

                De tudo o que nós homens falamos de Ti, sei que não és Tu. Dizemos que Tu és pai, és mãe, és amigo, és carrasco, és tirano, és soberano, não és soberano, é pau, é pedra, é sol, é vaca, enfim, é tanta coisa que quando se vai analisar essas afirmações vejo que não tem nada haver contigo mas com nossos anseios. Mas sei que não dá pra fugir dessas significações.

                Não escrevo aqui para “tocar teu coração”, sei que Tu não tens um, nem para que se compadeça ao meu favor. Não espero mais nada nessa vida a não ser um encontro real contigo. Um dia, Tu sabes disso, anseio muito te encontrar e quando acontecer sei que não vou ter perguntas a fazer, só quero continuar sentindo o que sinto, desejo te conhecer não como por espelho como disse Paulo, mas “face a face” se é que é possível.

                Dentre tantas coisas que nós homens afirmamos sobre Ti, prefiro a que diz que Tu és amor. Sinto-me amado e cuidado. Não sei explicar, só sinto.

                Dentre tantas loucuras que dizem a teu respeito, não me coloco de fora, pois sou mais um louco que fala acerca de Ti também.

                Mas sabe Deus, eu creio que Tu ainda és sobre tudo e todos, mas o peso da existencialidade muitas vezes me faz Te questionar. Eu não tenho medo de Ti, não tenho medo do pesar da Tua “mão”. Sei que é amor.

                Espero que leia essa carta, e Te peço: sacia a sede dos homens em Te conhecer, Ó Grande Mistério!

                Airton Junior
                20 de maio de 2012

quinta-feira, 26 de abril de 2012

O FUNDAMENTALISMO CRISTÃO



O fundamentalismo cristão admite a Bíblia como única autoridade para suas doutrinas e costumes. Afirma a autoridade exclusiva da Bíblia, sustentando que é Palavra de Deus no sentido estrito do termo: provém diretamente de Deus, portanto, livre de todo erro e de todo condicionamento. Para o fundamentalista, Bíblia, Revelação e Palavra de Deus são sinônimos.

                Para o fundamentalista, a afirmação da absoluta e da total inerrância e infalibilidade da Bíblia é de capital importância. Disso dependem, em sua opinião, a autoridade da Bíblia e sua total confiança nela e, em última instância, em Deus mesmo. Quando se admite que a Bíblia contem erros – argumentam - , então não merece nossa total confiança como norma suprema, e não podemos estar seguros do que Deus quer de nós e para nós. Para o fundamentalista, o texto da Bíblia é a única norma objetiva (por ser escrita) que ele aceita, e essa norma vem de Deus mesmo, que a “ditou” aos escritores. Visto que tem Deus como seu autor, a Bíblia não pode ter erro algum, também em matéria de história e ciência. Esta é a tese “fundamental” sobre a qual repousa a estrutura doutrinária do fundamentalismo cristão.

                Na realidade, no entanto, o fundamentalismo não parte da Bíblia mesma, embora afirme insistentemente que o único fundamento é a Bíblia. De fato, parte de um ideia que tem a respeito da Bíblia: a ideia de que a Bíblia é o que foi “ditado” por Deus, portanto, livre de todo erro possível, e de que é a Palavra de Deus dirigida a ele e que é inalteravelmente válida tal como está escrita, para todos os séculos. Obviamente, para o fundamentalista, sua interpretação da Bíblia é a única válida e legítima, e, portanto, toda outra interpretação tem de ser errônea.

                Mas fundamentalistas nem sempre são literalistas. Antes, adaptam passagens e doutrinas e, com base nisso, interpretam literal ou figuradamente. O fundamentalista crê que a única fonte de referência é a Bíblia. Não admite nem reconhece o papel da tradição, quer dizer, a correlação entre a Bíblia e tradição.

                O fundamentalista interpreta textos bíblicos, utilizando outros textos bíblicos. Mas esses textos já foram interpretados previamente segundo os cânones dados por seu líder ou guia ou instituição, não pela Bíblia! Em ultima análise, o fundamentalista não se baseia na Bíblia, mas em sua ideia a respeito da bíblia e nas orientações do líder ou denominação. Crê que suas ideias correspondem às ideias dos tempos bíblicos, sem dar-se conta de que suas ideias são produto do desenvolvimento do cristianismo, dos conhecimentos que adquirimos com o tempo e de nossa visão ocidental (não palestina) da vida e do mundo. A ideia de que a Bíblia é toda ela por igual Palavra de Deus, a ideia de que Deus de alguma maneira ditou a Bíblia, a ideia de que não contém erro algum e de nenhum tipo etc, não provém da Bíblia, mas da tradição posterior a ela, como também foi posterior a decisão do cânon. Nenhum texto explicita em que consistia a inspiração, nenhum texto diz que a Bíblia está livre de erros, e nenhum texto diz qual deveria ser o cânon, o fundamentalista é, então, em boa medida, um ingênuo.

                Além do mais, o fundamentalista, baseia-se nas interpretações dadas por seu líder espiritual ou instituição, as quais ele aceita cegamente como verdades absolutas e inquestionáveis, quase como se viessem de Deus mesmo – costumam ser tidas como revelações. Assim, por exemplo, os adventistas leem a Bíblia a partir das interpretações e doutrinas adiantadas por Elena White, e as Testemunhas de Jeová leem a Bíblia através dos olhos da “Watchtower Society”, os protestantes por sua denominação, e assim vai...  Não é, então, uma leitura e interpretação a partir da própria Bíblia.

                O fundamentalismo, que é característico de certos ramos do protestantismo, de muitas seitas, e que se encontra em alguns “círculos de estudo bíblico”, é eminentemente doutrinário a partir de seu fundamento, e não permite o questionamento crítico. Está seguro de compreender a bíblia corretamente e de possuir a verdade, que é incapaz de escutar ou de ler estudos críticos sobre a Bíblia (a menos que o líder os aprove), desqualificando-os como ímpios, racionalistas, prejudiciais para a fé. Qualquer questionamento é imediatamente rejeitado com a acusação de que se está negando que a Bíblia é Palavra de Deus, e para apoiá-lo saem a brandir, em poucos segundos, três ou quatro textos bíblicos – desencarnados de todos os seus contextos (literário, situacional, cultural) – que supostamente fundamentam suas doutrinas. “A Bíblia diz” vem a ser equivalente a “Deus mesmo diz, e não se pode questionar”. O fundamentalista é simplesmente incapaz de discutir a respeito da Bíblia ou de alguma passagem bíblica sem brandir uma meia dúzia de textos que, além do mais, devem ser interpretados inquestionavelmente à sua maneira de entendê-los. É um circulo vicioso. Em poucas palavras, o fundamentalista se move na base de um conjunto de textos que considera chaves, e subordina ou “esquece” os demais, especialmente palavras que aparecem na boca de Deus ou de algum profeta. Essa priorização de certos textos certamente não vem da Bíblia: foi o líder que lha deu. O Fundamentalista enche a boca de textos bíblicos, bem aprendidos, concatenados de maneira que se apoiem uns aos outros, quase em forma circular, e não sai deles.

                Em seu recurso à bíblia, o fundamentalista concentra-se especialmente nas palavras, e vai em busca de doutrinas. Lê a Bíblia como um manual de doutrinas, especialmente éticas. E estas são válidas para todos os tempos. E por isso mesmo, não leva em conta questões de gêneros e composição literários, de situações históricas e culturais, de tradições orais etc. Não está consciente (ou nega) que se trata de um texto literário composto na antiguidade. Quando se trata de uma narração, tende a entendê-la como história, sem distinguir mito, lenda, saga, epopeia. Em poucas palavras, o fundamentalista crê que sua interpretação da Bíblia corresponde à intenção original, que é a Deus, não dos homens e, por isso, rejeita toda interpretação que seja produto de estudos críticos.

                Para o fundamentalista, conhecer a Bíblia equivale a conhecer de memória o maior número de textos e a interpretação dada por seu líder. Isto ele sai a brandir nos “concursos bíblicos”. Sua fé está centrada nos textos mais do que na atuação histórica de Deus, por isso, costuma ser “biblicista”. Sua religião é do livro, não da história – como o islamismo. Sua ética, certamente, costuma ser igualmente fundamentalista: cumpre-se o que está escrito, porque é mandato divino – embora na prática omitam muitos mandatos. Alguns até pretendem viver como nos tempos bíblicos, dando um salto olímpico de alguns milênios. O Fundamentalista não admite que tenha havido evolução, aprofundamento, adaptação da Palavra de Deus, quer dizer, não admite a tradição como processo de interpretação e de atualização (de vida). Passa diretamente de Deus (autor) ao texto e deste ao presente, como se tivesse sido escrito ontem e aqui.

                Notoriamente, com frequência, a posição fundamentalista é uma ideologia que busca defender em nome do Deus da Bíblia certos valores tradicionais (sociais, econômicos, políticos, religiosos) diante dos questionamentos daqueles que pensam com espírito crítico. Por isso, exigem fé cega nos textos, nas interpretações e nos líderes, e não toleram questionamento algum.

                Eduardo Arens

terça-feira, 24 de abril de 2012

O FUNDAMENTALISMO



O fundamentalismo é a corrente mais extensa e nefasta na atualidade, associado especialmente a certas seitas. Trata-se da atitude mental que sustenta e propaga os “fundamentos” de determinada crença, seja política, social, religiosa ou outra, que pertencem a um passado já não em vigência, e o faz de maneira agressivamente fanática, proselitista, não-crítica e fechada a todo diálogo. Seus “fundamentos” são categóricos e dogmáticos, e são tidos simples e singelamente inquestionáveis. Não se trata, então, necessariamente de uma seita ou religião, mas de uma atitude mental e emotiva.

O fundamentalismo está correndo como rastilho de pólvora no mundo das três religiões monoteístas: o judaísmo, o cristianismo e o islamismo. É uma reação diante dos questionamentos do “tradicional”, questionamentos que “desestabilizam”. Por isso, é uma regressão, resultando daí que se qualifica como integrismo, conservadorismo, tradicionalismo, restauração.

O fundamentalismo não progride: fica estático, mentalmente paralisado. Sua concepção do mundo, do homem e de Deus é para ele absolutamente segura, inquestionável, verdadeira – assim pensa e assim propaga. Mas é uma concepção pré-crítica! O fundamentalista teme as mudanças, teme o pluralismo, teme o novo, teme a liberdade, teme o amadurecimento adulto. Não causa estranheza que, quando essa visão é questionada, ele se refugie no passado e que ataque virulentamente tudo o que ameace mudá-la.

O fundamentalismo é expressão de profunda insegurança psicológica. É a resposta não-crítica, simplista, à ânsia de segurança, de estabilidade, de certeza. O fundamentalista compra a segurança a preço de liberdade. Por isso mesmo, é intolerante diante de tudo o que tenha sabor de instabilidade, de ecumenismo, de “relativismo”. Espanta-se  diante da multiplicidade de interpretação exegéticas da bíblia e, por certo, diante do questionamento de compreensões tradicionalistas da bíblia – Adão e Eva realmente existiram, da mesma maneira que o dilúvio universal e a torre de babel...

Desde suas origens, o fundamentalismo sempre esteve ligado à defesa frenética de determinadas estruturas sociais (costumes, ritos, classes socioeconômicas) tradicionais, portanto, tidas por sagradas e invariáveis – pelo que é qualificado como tradicionalista. Por isso mesmo, o fundamentalista é acaloradamente ativo em propagar sua particular visão da religião e da sociedade - visão “tradicionalista” -; é um proselitista que se move em estruturas de poder. Daí que constitua o que estritamente se chama de “seitas”.

O fundamentalista está pelejando com a modernidade cultural em seu espírito liberal crítico, por isso, também está contra o “iluminismo”, que ele qualifica de racionalismo. Visto que se considera dono da verdade, não tolera o intercâmbio pluralista ecumênico. Por isso, faz o impossível para dominar o mundo e impor sua “verdade”, para refutar a visão “moderna” do mundo – o fim justifica os meios. Sua visão de mundo é dualista: os “bons” (nós) e os maus”, que devem ser rejeitados.

O fundamentalista apela para a vontade de Deus, que é determinada por seus líderes. Sua referência fundamental é a sagrada Escritura (Bíblia ou Alcorão). O fundamentalista recorre a ela para fundamentar aprioristicamente suas doutrinas. Não faz exegese (os exegetas são tachados de racionalistas), mas eisegese: faz dizer a certos textos o que ele quer que digam.

Eduardo Arens

sexta-feira, 30 de março de 2012

O QUE É ACEITAR JESUS?


Em certo dia quando estava numa oficina, notei que o mecânico era religioso. Notei pelo tom da conversa, conversavam sobre um livro que vai se abrir no fim dos tempos. Eu mesmo não falei nada, fiquei ali como se fosse alguém interessado na conversa, só ouvindo. De repente o irmão virou pra mim e me entregou um folheto e disse: - Se você aceitar Jesus, sua vida nunca mais será a mesma. Aí logo em seguida, perguntei: - O que é aceitar Jesus? Ao que ele respondeu: - Entregar a vida a Ele e procurar um pastor de uma igreja evangélica para ouvir a palavra de Deus.

Esse breve relato revela o que de fato se entende por aceitar Jesus. Independente da estratégia que seja usada no final tem que ter um pastor e se filiar a uma igreja.Há até uma piada sobre isso. Um menino foi à igreja com a mãe e no final do culto o pastor fazia “o apelo” e perguntava: Quem quer aceitar Jesus? O menino disse à mãe: - Se ele me “add” eu aceito! rsrs.

Eu já respondi essa pergunta muitas vezes. Pra isso existem as quatro leis espirituais que foram formuladas para simplificar a pregação à quem não tem conhecimento bíblico do plano de salvação. Daí as quatro leis terem um caráter de jogo de xadrez, por que leva ao ouvinte ao “cheque-mate”, deixando-o sem escapatória. Ou aceita ou rejeita. E não só isso como também obtendo o sim do ouvinte, já o encaminha para a igreja, pois ninguém pode seguir Jesus fora dela.

Esse tão conhecido apelo tem início em meados do século XVII iniciado pelos chamados avivalistas, porém não o encontramos em Jesus. O apelo da pregação de Jesus no Reino é: Arrependei-vos por que é chegado o reino de Deus!

Esse apelo, iniciado no século XVII e alimentado ainda hoje não tem a finalidade de apresentar Jesus e sim de oferecer um pacote de Doutrinas Congregacionais. Visto que ao que responde sim a tal apelo será ensinado à doutrina da qual o fez e assim cada aceitar Jesus tem uma forma diferente. Cada um tem um Jesus a ensinar. Daí tanta diferença de credos e isso só entre as igrejas protestantes.

Não encontramos Jesus dizendo: Quem quer me aceitar!? E os apóstolos? Fazem tal apelo? O que se ver no evangelho é quem crer! E o crer em Jesus não é confirmar doutrinas institucionalizadas. Crer que Ele é o filho de Deus não é professar ser Católico, Protestante, Evangélico ou Religioso Nominal.

Se existe alguém que tem que aceitar esse é Jesus. Ele é que tem que nos aceitar e isso Ele fez a todos os homens! Tudo está consumado! Tudo reconciliado! Eis o grande apelo: Você crer nisso?

O que se precisa dizer aos homens é isso! Já foi tudo feito por Ele! Pois como disse: Toda palavra que vem depois da Graça é desgraça!

Jesus, obrigado por me aceitar, mas não só a mim, mas a todos!

Airton Junior
30 de março de 2012

terça-feira, 27 de março de 2012

A MISSÃO E O DIÁLOGO RELIGIOSO


Antes de entrarmos de fato no tema precisamos entender alguns conceitos cristãos para o termo “missão” e o que no decorrer da história foi praticado como missão nos vários períodos da história desde sua fundação.

E ainda talvez, voltarmos um pouco mais na história e procurarmos entender o que entendia, falou e praticou sobre missão o seu, se não fundador, maior ícone do cristianismo, Jesus de Nazaré.

O REINO E A IGREJA EM JESUS

Ora, o que se nota em Jesus de Nazaré nos evangelhos é que primeiramente sua mensagem ou seu evangelho ou ainda a centralidade de sua fala está no Reino de Deus. O interessante é a esmagadora diferença entre as falas de Jesus sobre igreja e Reino de Deus, em igreja fala apenas três vezes e no Reino de Deus mais de oitenta.

O que diremos nós? Jesus idealizou uma “Igreja-eclésia” ou sua intenção era em algo bem maior e abrangente? Se de fato ele a idealizou, de que natureza seria essa “igreja”?

A proposta Dele sempre foi o reino, mas dentro do reino estariam as “eclésias” que seriam “uma das responsáveis e não a única” por espalhar essa semente tão valiosa. E no decorrer da história o que se vê é que um grande surto toma conta logo dos primeiros seguidores começando já com os discípulos e afirmado ainda hoje, como bem escreveu Emil Brunner em seu livro: “O equívoco da igreja”.

Logo após a morte dos discípulos e a ameaça das seitas gnósticas surge a necessidade de se organizar para transformar afirmações sobre Jesus em dogmas infalíveis e imutáveis, transformando depois de dois séculos a simplicidade de seguir Jesus em concílios aonde os “mandatários da fé Cristã” decidiriam quais os rumos daquilo que em Constantino alcançaria seu clímax como religião oficial de Roma, o Cristianismo.

MISSÃO EM PAULO, CONSTANTINO E PERÍODO MEDIEVAL

Paulo, considerado apóstolo aos gentios, é o personagem mais notável da primeira igreja-eclésia a espalhar a mensagem do reino. Mas em reino mesmo Paulo fala mais ou menos treze vezes, pelo menos é o que foi registrado. Daí nota-se o “apagão” da mensagem do reino pregada por Jesus, pois Paulo é o grande intérprete do Cristianismo e é justamente em cima de suas afirmações que o Cristianismo encontra base para se afirmar.

A persuasão Paulina era tão forte que causou um grande reboliço no Império Romano e suas afirmações revelaram o Cristo cósmico, o Cristo Ressurreto. Ele mesmo não repete o discurso de Jesus sobre o reino.

Em Paulo, missões, significava levar a mensagem da cruz, que era escândalo para os Judeus, aos que estavam “fora” do arraial da lei, ou seja, os gentios. E notemos que o teor de suas pregações e ensinos também continha defesa da fé e de Jesus, algo que não encontramos em Jesus.

Constantino é o homem que oficializou-institucionalizou a fé cristã.

Se em Paulo já notamos um ar de conquistas, imaginem em Constantino? Seu alvo era tornar todos do Império cristãos e para isso aceitou todo tipo de paganismo que consequentemente fariam parte das doutrinas futuras patrocinadas pelos concílios.

No período medieval a igreja não teve muitos problemas com quem não se dobrasse a sua “autoridade”, governou com “mão de ferro”, a não ser nas cruzadas que foi na história a maior demonstração de que não haverá paz no mundo enquanto houver gente que acha que é o único representante de Deus na terra.

MISSÃO HOJE

A afirmação: “Não há salvação fora da igreja”, defendida pela igreja, tanto católica quanto protestante, é hoje um dos maiores impasses para um diálogo religioso.

Há também outra afirmação: “Fora de Cristo não há salvação”. Essa mais ainda.

A igreja sempre acreditou que a ela foi dado o depósito da salvação, as chaves do céu e nesse particular, para que haja diálogo, essas afirmações precisam ser repensadas. Todo fundamentalismo, seja cristão, mulçumano, ou outro qualquer sempre será impasse para o diálogo.

Se missão antes era a conquista de todos os povos a se tornarem cristãos, e hoje ainda é, na sociedade atual, missão não cabe mais numa prerrogativa arrogante de ser o “dono” da “revelação divina”.

Há de haver um compartilhamento, “intercâmbio” das revelações para que no final, pelo olhar de cada um, aumentemos a nossa visão dAquele que não se pode ver.

O que há de mais precioso para o Cristianismo é o Cristo e sua afirmações. Uma exegese crítica e realista pode ajudar a entender a proposta de Jesus. Textos exclusivistas ditos pelos discípulos como que Ele tivesse dito precisam ser de fato esquadrinhados para um entendimento universal.

O diálogo pode ser começado por Deus ou pelo sermão da montanha, penso que daí podemos partir e explorar esse terreno não conhecido e desafiar nossos credos, deixando o sentimento de posse e de conquista para se abrir a revelações diferentes, porém válidas.

Airton Junior
24 de março de 2012

terça-feira, 20 de março de 2012

A PROTEÇÃO DIVINA


Nesses últimos dias aconteceram duas tragédias, uma a nível local e outra a nível nacional. Dois homens religiosos (pastores) foram assassinados brutalmente em duas situações. Um foi morto pelo filho a facadas e o outro foi confundido por assassinos e foi morto a tiros.

No contexto atual, ou até em vários contextos históricos, pelo menos pelo viés religioso se espera que o que é “servo de Deus” tenha uma proteção maior do que “quem não serve”. Refiro-me como “quem não serve” àqueles que não são religiosos.

E nesse espírito de troca, ou seja, em vista de alguém ser religioso subtende-se que esse mesmo será agraciado com a proteção divina e com outras bênçãos mais, quem pode falar muito bem desse assunto são os “Pregadores da PROSPERIDADE”. E não são poucos os textos sagrados que afirmam essa proteção. Tais como: “Mil cairão a tua esquerda e dez mil a tua direita, mas tu não serás atingido”, “Praga nenhuma chegará a tua tenda”, “Fazei prova de mim”, dentre outros.

Daí questiona-se: Deus protege ou não? Aonde estava os anjos que acampam ao redor daqueles que o temem? Se não protege, seria ameaçada a sua soberania? Não tem Ele domínio sobre até uma folha que cai?

O interessante é que essa questão geralmente é levantada quando acontece algo com religiosos e é silenciada quando é com uma pessoa sem influência religiosa (Fatos que acontecem todos os dias). Deixando no ar que o próprio questionamento exige uma troca-barganha, por não aceitar que seja possível alguém “servir a Deus” e não ser alcançado por tais tragédias.

Se percorrermos a escritura veremos que os “grandes homens de Deus” também foram sujeitos a tais tragédias.

Ora, se alguém nasce logo morrerá! Não tem como fugir! De morte matada ou morrida, vai morrer! E se é algo que não nos acostumamos é com esse negócio de morte! Daí ficarmos sempre procurando explicações filosóficas envolvendo Deus. Por que, por que e por que?

Pelo princípio da encarnação, Deus se fez homem, e se ele protege um, protege a todos ou não protege ninguém. Lázaro foi ressuscitado, porém morreu depois! Foi poupado e depois não!

O que marca os fatos não é a morte e sim as circunstâncias em que elas aconteceram e são justamente as circunstâncias que trazem tais questionamentos.

Penso que assim como o sol se levanta sobre justos e injustos, as tragédias também assim o são. Não há privilégios, pelo menos nesta vida, para religiosos ou não religiosos no que se refere às tragédias e digo mais, não há privilégio pra ser humano nenhum.

Há uma atitude interessante diante disso. Os três amigos de Daniel (O profeta). Eles ficaram diante de uma tragédia e a resposta deles diante do rei que exigia que se dobrassem diante dele foi: Se Deus quiser nos livrar, amém, se não, amém também. Mas estamos dispostos a passar pela tragédia.

É basicamente assim que entendo a proteção divina. Há vezes que Ele protege e há vezes que não. Eu não sei qual critério Ele usa. Mas ainda assim, entendo da mesma maneira que os amigos de Daniel, e peço a Ele como Jesus me ensinou, “Livra-me do mal”, mas se porventura não acontecer o livramento, fazer o que? Se Ele antes não poupou o seu próprio filho, antes o entregou por todos nós?

Airton Junior
12 de março de 2012

quinta-feira, 8 de março de 2012

QUEM DERA FORAS FRIO OU QUENTE!

                
           Esse negócio de quente ou frio geralmente não funciona, ou melhor, só funciona o quente, pois o tal é tido como expressão do membro ativo nas atividades religiosas. Aquele que é “útil” para o currículo "igrejeiro". Esse é o quente.  Já o frio é aquele que se “esquiva” da “obra de Deus” e fica apenas na condição de ouvinte. Já para o pentecostal, o quente é o que fala em línguas conquanto os frios sejam os batistas tradicionais que não falam e agora já tem os que não satisfeitos com o quente e o frio criaram a chamada “igreja renovada” que fala, mas nem tanto! Isso é o que se vê no meio protestante.

                O interessante é que João no Apocalipse afirma que pra Jesus tanto o quente como o frio tem valor. Levando em conta mais uma vez a questão do ser. Se for quente que seja, mas se for frio que seja também. Nada haver com essas loucuras evangélicas.

                A questão não é ser nem quente nem frio e sim se for que seja de verdade ou quente ou frio. Os dois estão absorvidos!

                Mas se for morno? Se for será horrível. Se formos mornos, estaremos no “limbo” do ser. Estaremos mentindo para si! Penderemos para um lado e para o outro! Não dizemos sim nem dizemos não! Não queremos ajuntar, mas também não queremos espalhar!

Assim diz o Amém, a testemunha fiel e verdadeira, o princípio da criação de Deus:
Conheço as tuas obras, que nem és frio nem quente; quem dera foras frio ou quente!

Ser morno é lutar contra o ser. E nós fomos chamados a ser, seja quente ou seja frio.

Eis o desafio!

Airton Junior
29 de fevereiro de 2012